(by Pablo)

Eu me lembro claramente de algumas emoções que tive na vida. Me lembro do dia que passeio no vestibular, quando tirei carteira, quando passei no concurso da Petrobras e quando o Cruzeiro foi campeão Brasileiro em 2003. A partir de hoje, vou me lembrar para sempre do dia em que estive no Gp de Mônaco.

O Gp de Mônaco

Acordamos lá pelas 08 da manhã. Eu estava ansioso. Coloquei minha camisa do Cruzeiro, peguei minha bandeira, passamos num supermercado para comprar nosso café da manhã (ganha um doce quem adivinhar o que era) e fomos para a estação de trem. Chegando lá, fiquei meio assustado. Havia uma fila quilométrica para Mônaco. Entramos lá naquele meio. Tinha gente de todo lado do mundo, gente com bandeira da Ferrari, gente com camisa da BMW e da MacLaren, bonés, etc. Encontramos até alguns brasileiros (passou um vascaíno e acenou pra mim). Mas o bom da Europa é que aqui tudo funciona, e em menos de 20 minutos todo mundo que estava na fila já estava acomodado em um trem superconfortável, a caminho de Mônaco.

Fila para o trem de Monaco

E lá fomos nós. A medida que o trem ia ganhando os trilhos, minha ansiedade ia aumentando. Quando chegamos em Mônaco, eu já estava meio zonzo. Descemos do vagão e fomos caminhando. Não tinha como errar. Era só seguir todo mundo. O caminho não era longo, mas me pareceu uma eternidade até chegarmos a entrada do GP. Monte Carlo é, sem dúvida, a cidade mais linda que já vi. Organizada, limpa, e incrivelmente planejada. Tudo parece estar no lugar certo. Estava tudo muito cheio, mas também muito organizado. Não existem tumultos neste lado do mundo, e mesmo quando você esbarra em alguém, sempre ouvirá um “pardon”, mesmo que o errado seja você. E neste meio, estava eu, deslumbrado com tudo. Dinheiro, poder e luxo: assim é Monaco. E neste meio, eu e Thais! A gente e meio milhão de gente com muito dinheiro. Quanto mais perto do circuito íamos chegando, mais gente ia aparecendo. Barracas com produtos oficiais, restaurantes com telas de LCD gigantes, lojas de griffes caríssimas e tudo muito, muito certo. Não tenho palavras para descrever a cidade. Acho que por isto existem as fotos, e desta vez, elas vão valer.

A ruas de Mônaco

As ruas de Mônaco

As ruas de Mônaco

Fomos seguindo as placas pelas ruas de Monte Carlo até a entrada do GP. Nossa entrada era a mesma entrada da Tribuna e da área VIP. Tudo bem que não consegui ingressos para a corrida de Domingo (o que me deixou bem triste, eu confesso), mas pelo menos íamos assistir a qualificação em um dos melhores lugares do circuito. Na entrada do circuito, senti um filete de suor descendo nas mãos. A vista já estava meio turva, e eu posso dizer que , neste instante, eu estava encantado. Na entrada da arquibancada onde íamos nos assentar uma bela jovem pegou nossos ingressos e nos acompanhou até nossos lugares, e quando me assentei no lugar de número 7 do Grandstand T2, perdi o fôlego. Eu podia quase sentir o calor do asfalto do circuito, e logo na minha frente estava nada mais nada menos do que os boxes da Ferrari. Era só ficar de pé que eu podia ver, a uns 200 metros do meu nariz, a máquina vermelha de 1.200 hp que o Massa dirige. Nossos assentos eram exatamente em frente aos boxes! E eu fiquei lá, completamente embasbacado, olhando para todos os lados, tentando ver cada detalhe, sentir cada cheiro e perceber cada cor de tudo que nos cercava. Eu estava lá, no meio de tudo aquilo que eu só via pela televisão, quando garoto, ao lado do meu pai, todos os domingos. E se eu fechar os olhos, me lembro justamente das corridas de Mônaco. Sempre fui apaixonado por Mônaco.

Pablo em Mônaco

os Boxes

Foi quando aconteceu…

Começou com um ronco suave, de tom grave, que foi aumentando na medida em que foi ficando mais estridente e agudo. E ali, na minha frente, os engenheiros ligaram o motor Ferrari do carro do Haikonem. O barulho era infernal, alto, poderoso e agudo. Aos meus ouvidos, soava como música. A cada acelerada que o motor dava, meu coração pulava junto. E logo mais motores foram sendo ligados, e a orquestra da formula 1 foi sendo tocada. Naquele momento eu me arrepie todo, e senti a força deste motores, destes pilotos, e a grandiosidade do evento que eu estava testemunhando.

Se me permitem dizer, o GP de Mônaco é talvez o evento esportivo mais caro, mais charmoso e mais poderoso do mundo. E eu, Pablo Tadeu, criado ali no Padre Eustáquio, tava lá!

Quando os motores foram desligados, não deu nem tempo de ficar triste, pois ali, aos mesmos 200 metros do meu nariz, estavam chegando os pilotos. Primeiro veio o Alonso, meio cheio de soberba, e pouco acenou . Depois, Hamilton, que mostrou ser o piloto mais simpático de todos. Veio sorrindo, acenou bastante, respondeu aos gritos que vinham das arquibancadas. Massa veio logo depois, cercado pela imprensa por todos os lados, não teve nem tempo de acenar para ninguém. E lá no fundo, meio passando despercebido, tava o Rubinho. Sem jornalistas, sem alardes, veio meio correndo e quando passou na minha frente, eu me levantei e gritei: “Vai Rubinho!! Força!! É o Brasil!!!” Ele parou, se virou para mim, acenou, fez um sinal de positivo e se foi correndo de novo. Quando passou o Nelsinho Piquet, fiz a mesma coisa. Ele, mais frio, apenas acenou rapidamente pra mim. Vai ver puxou o pai! Mas tudo bem.. não tinha como eu ficar triste naquele lugar. Até o Schummi passou por lá, mas como eu não sei alemão, resolvi ficar calado.

Logo apareceu no telão a contagem regressiva para o inicio das voltas de qualificação. Os motores voltaram a roncar, e desta vez, com os pilotos dentro. Quando foi aberta oficialmente a sessão de classificação, o primeiro carro a sair dos boxes foi justamente o de Filipe Massa. A esta altura do campeonato, todo mundo já estava colocando seus protetores de ouvido, pois é realmente impossível ficar por lá sem usar um destes. Na minha frente, pelo telão de TV, eu acompanhava o carro de Massa andando pelo circuito. E de repente, como uma flecha vermelha, seu carro passou bem na frente dos meus olhos e ouvidos. O barulho do motor é inconfundível, e o vermelho Ferrari também. Ele passou a uns 200 km por hora, mas para mim foi como se tivesse passado a 20. O som de um F1 é algo realmente assombroso. É lindo.

Filipe Massa

E assim eu fiquei. Assombrado. Maravilhado. Não sabia se tirava foto, filmava ou apenas ficava lá, sentindo cada segundo deste momento. A cada carro que passava, eu acompanhava o trajeto pela parte do circuito que eu podia ver, num vai e vém de cabeça que chegava a ser engraçado. Ficamos lá cerca de 5 horas, mas para mim, pareceram 5 dias. Eu aproveitei tudo. Tirei milhões de fotos (confesso que na metade aparece só a pista, pois é difícil como o diabo pegar um carro na foto), filmei, falei com os pilotos, acenei, e vibrei com outros brasileiros que lá estavam quando Massa fez, no último minuto, a pole-position. E como tinha brasileiro lá!! A maioria com camisa de times. Tanto, que tirei até foto com um palmeirense e um corinthiano que lá estavam. Todo mundo feliz, todo mundo brincando. Brasileiro é fogo. A gente nem se conhecia e fizemos a festa. Aliás, eu confesso, eu fiz a festa mesmo.

Mãe: senti muito sua falta. Queria que você estivesse comigo. Eu te prometi uma coisa.. e eu cumpri! Essa foto é pra você!!

Cruzeiro em Mônaco

Na saída do GP, pausa nas barracas oficiais para comprar presentes e lembranças. Claro, tudo valorizado como Mônaco. Camisas, bonés, bandeiras e chaveiros, variando entre 40 e 400 euros. Nos restaurantes, a nata do mundo já se preparava para comer pratos que variavam de 300 a 500 euros, por pessoa. Mas eu não sentia fome, nem sede, nem frio. Ali, nas ruas de Mônaco, com o ingresso do GP ainda pendurado no pescoço, e com a sacola cheia de presentes, eu era o homem mais feliz do mundo, e meu coração se acelerava como um autêntico formula 1.

Comendo (by Thais)

Ao voltarmos do GP, decidimos que seria o dia de comer comida. Aqui em Nice, há muitos restaurantes chineses e vietnamitas. A localização deles é numa parte não tão boa da cidade, mas…era a nossa opção. A gente andou um pouco, vendo os Menus antes de entrar, isso é uma coisa legal aqui na França, grande parte dos locais expõem na porta os valores dos pratos que servem,então você escolhe de acordo com seu bolso.

Pedimos arroz e uma carne. Não vou dizer que achamos a comida BOA, porque..eu estaria mentindo. Mas..para quem não comia há uma semana um arroz e um carne, foi ótimo..hehehe..gostamos primeiro da garçonete, que foi gente boa, explicou os pratos e tudo e depois, comida chinesa é parecida em todo canto, mas temos quase certeza que comemos carne de qualquer coisa, menos de boi. Valeu de aprendizado..hihiih..

Primeira ida a Cannes ( by Thais)

Bem, queríamos ir ao Festival de Cannes, e por causa da tal greve não tinha muita opção de horários do trem. Outros meios de transporte também, não existem por aqui. Conseguimos um saindo as 21hs daqui de Nice, chegando lá umas 21:30hs, mas para voltarmos à Nice o ultimo trem que tinha era as 22:50hs. Quer dizer, iríamos ficar lá pouquíssimo tempo, mas ainda assim fomos.

Bem vindos a Cannes

Chegando lá, sentimos um pouco de vergonha, pois estávamos a vontade e o pessoal que passava estava ultra arrumado, a maioria dos homens de terno e as mulheres de vestido longo…um glamour total.

A avenida principal, onde estava ocorrendo o evento, tinha gente pra todo lado, muito fotografo, gente exibida, jornalistas, achamos o máximo. Dava pra ver por onde os artistas chegavam, o tapete vermelho, aquela coisa toda, carros bonitos, seguranças, etc. Tiramos muitas fotos, sorrimos bastante, e percebemos que não conhecíamos ninguém ali. Não havia artistas americanos, brasileiros, apenas pessoas que devem ter dinheiro e influência, afinal, estavam sendo fotografadas. Mas ainda assim, não ficamos frustrados, nossa intenção maior, era assistir ao: “cinema de La Plage”.

É um telão de cinema que é montado no meio da praia! Tem coisa melhor? Muito chique! Estava cheio de gente nas cadeirinhas, assistindo ao filme, o de ontem era Matrix. O pessoal é muito civilizado, um silêncio total, parecia um cinema fechado mesmo. Infelizmente tivemos que voltar logo, vimos pouca coisa do filme, mas, deu tempo de tomar um sorvete italiano delicioso, e de corrermos (literalmente) pra alcançar o trem de volta.

Entrada do Festival

Thais em Cannes

Pablo em Cannes

Nota do Pablo – só mesmo por aqui você encontra uma “Lambo” assim, no meio da rua.

Lamborguini na rua